“ESPAÇOS DA SOLIDÃO” NAS OBRAS DE DINO BUZZATI E DYONÉLIO MACHADO.

Ana Clara Vieira da Fonseca

Resumo


Nos estudos de crítica literária, ocupa papel de destaque a relação entre literatura e história. De acordo com a perspectiva marxista, o reflexo estético corresponde a uma realidade da qual o homem ainda não tomou consciência. Compreende-se que literatura e sociedade caminham juntos, em seus avanços e retrocessos, tal qual ocorre com o progresso histórico. No início do século XX, o mundo passou por mudanças e reviravoltas na política que possibilitaram a ascensão de regimes totalitários e fascistas, o que acarretou mudanças até mesmo na expressão artística do período pois a vida cotidiana da população passou a ser permeada por violência e incertezas. Propõe-se, portanto, uma problematização do espaço e das suas relações com a violência presente em sua construção, de maneira que foram escolhidos os romances O deserto dos Tártaros, do italiano Dino Buzzati, e Os ratos, escrito por Dyonélio Machado. Assim, o objetivo deste trabalho é analisar, nas narrativas citadas, a representação da espera e da solidão, a difícil situação do indivíduo vítima de regimes totalitários e ditatoriais nas primeiras décadas do século XX e suas relações com a representação espacial na literatura, sempre prestando atenção à necessidade de encontro da cultura e das artes com os problemas da vida social e nacional do povo.


Palavras-chave


Realismo; Literatura brasileira; Literatura italiana; Vida cotidiana; Modernidade; Sociedade.

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Referências


BUENO, L. “O lugar do romance de 30” e “Dyonélio Machado”. In: Uma história do romance de 30. São Paulo: EdUSP, 2006, 707 páginas.

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DOI: http://dx.doi.org/10.19123/eixo.v6i1.419