A CONSCIÊNCIA NEGRA: PERIGOS OU SALVAÇÃO DA NAÇÃO?

Alain Pascal Kaly

Resumo


A humanidade presenciou a “criação” de três mapas do surgimento
do ser humano: a) o surgimento do ser humano na África Oriental cujas
caminhadas para povoar as diversas partes do mundo inauguraram a “primeira globalização; b) a conversão do Constantino ao Cristianismo e a expansão do Cristianismo romanizado, que deslocou o mapa do surgimento do ser humano da África para o continente euro-asiático, ao mesmo tempo branqueando o ser humano e, finalmente, o terceiro e último mapa foi criado pelo navio negreiro a partir do século XV. Por isso que ter a Consciência Negra implicaria ter a consciência de pertencer à humanidade surgida na África; a unidade da raça humana/universal; ter a consciência do que a gênese histórica do monoteísmo judeo-cristão faz parte da história do continente africano e dos africanos brancos e pretos. E, finalmente, o negro criado pelas brutalidades coloniais – tráfico, escravização e colonização territorial – foi um dos pilares da modernidade do que se denominou hoje de mundo ocidental: as revoluções políticas, industriais, culturais e filosóficas.


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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.19123/eixo.v6i2.517