RACISMO E PROPAGANDA NO BRASIL

  • Dayane Augusta Silva
  • Jonas Brito

Resumo

Seja nas relações interpessoais e nos espaços públicos, em episódiosou nas grandes cifras, o racismo ecoa em nosso cotidiano. Não muito diferente das tendências antigas, hoje o racismo continua afetando os negros em suas individualidades, violando direitos humanos, de modo sistêmico e em todas as esferas de suas vidas. Não é diferente com a publicidade. Indivíduos negros são responsável por considerável circulação de dinheiro no mercado e constituem boa parte dos pequenos empreendedores, mas aparecem em poucos comerciais e são retratados em condição de rebaixamento. A sociedade de consumo cristaliza valores que inferiorizam os indivíduos negros por meio de duas estratégias:1) reduzindo sua presença nos comerciais e 2) associando os poucospresentes a determinados estereótipos. Frequentemente, estes indivíduos são retratados como representantes das classes populares ou associados ao ridículo, ao exótico, à corporeidade e à sexualidade. Nos últimos meses têm sido recorrentes denúncias de propagandas racistas nas redes sociais, como Facebook, Instagram e Twitter. Com efeito, a propaganda brasileira deixa muito a desejar se o assunto for mostrar que pessoas negras “existem”, são “bonitas” e “valiosas”.

Referências

BAIRON, S. A persistência do grande Outro cromático-racista

na publicidade brasileira. In BATISTA, L; LEITE, F. (Org.).

O negro nos espaços publicitários brasileiros: perspectivas

contemporâneas em diálogo. São Paulo: Edusp, 2011, p.44.

MARTINS, C. A. M. O mercado consumidor brasileiro e o

negro na publicidade. Gvexecutivo, v 14, n. 1, jan./jun. 2015.

MUNANGA, K. Estratégias e políticas de combate à discriminação

racial. São Paulo: Edusp, 1996.

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História da África nos currículos da educação Básica.

Brasília: DP Comunicações, 2004

Publicado
2017-11-28