Bens Culturais afro-brasileiros: o ofício de mulheres negras trançadeiras em debate

  • Luane Bento dos Santos Doutoranda PPGCIS/Puc-RJ e Professora Assistente de Relaçãoes Étnico-raciais na Escola na FEUFF

Resumo

Este estudo tem como proposta apresentar os penteados afro trançados enquanto bens culturais da população negra brasileira. Para este intento, partimos da concepção que o ato de elaborar/fazer penteados trançados são consubstanciados em práticas identitárias que se inscrevem no universo feminino negro. Abordamos que as mulheres negras trançadeiras, em seu cotidiano profissional, são transmissoras de saberes manifestos em modos de fazer e expressões que constituem a memória e a identidade de um povo. Apontamos que o saber de elaborar tranças afro se inserem nos requisitos constitucionais e orientações internacionais para o reconhecimento de suas práticas enquanto bem cultural do patrimônio afro-brasileiro. Defendemos que essas expressões culturais precisam ser reconhecidas enquanto patrimônio cultural afro-brasileiro para que seus atores, as trançadeiras, tenham seu ofício valorizado e garantido por iniciativas institucionais. Além disso, mostramos as mobilizações de mulheres negras trançadeiras em busca de valorização profissional.

Biografia do Autor

Luane Bento dos Santos, Doutoranda PPGCIS/Puc-RJ e Professora Assistente de Relaçãoes Étnico-raciais na Escola na FEUFF
Professora Assistente de Relações Étnico-raciais na escola/FEUFF. Doutoranda em Ciências Sociais PPGCIS/PUC-Rio. Mestre em Relações Etnicorracias pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET- RJ). Bacharel e Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Bacharel em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Docente de Sociologia na Secretária Estadual de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ). Atuou como professora regente da disciplina Etnociência e Educação no curso de Formação de Professores para História e Cultura Africana e Afro-brasileira da ONG CEAP. Possui experiência em Antropologia Social, Ensino de Ciências Sociais, Etnomatemática, Educação e Relações Étnico-raciais, Gênero, Saberes Populares e Científicos. Aprovada para o curso de Doutorado em Ciências Sociais na Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro.

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Publicado
2019-12-17
Seção
ARTIGOS