EDUCAÇÃO NA DIVERSIDADE: A IMPORTÂNCIA DO ESPAÇO ESCOLAR NO FORTALECIMENTO DE IDENTIDADES ÉTNICAS

ELAINE CALDEIRA, GEORGE L. R. BRITO

Resumo


É preciso refletir sobre educar na diversidade, pois ensinar (e aprender junto com) os estudantes índios e não índios a conviver uns com os outros diariamente, respeitando as diferenças físicas, sociais e culturais, difere do que se vivenciava quando se tinha o índio estudando predominantemente na aldeia. Para tanto, em primeiro lugar, firmados no aparato teórico-metodológico interdisciplinar da Análise de Discurso Crítica (ADC) (CHOULIARAKI; FAIRCLOUGH, 1999; FAIRCLOUGH, 2001; 2003), apresentamos uma breve revisão de literatura e uma análise da conjuntura em que se inserem os Xerente no município de Tocantínia-TO, e uma reflexão sobre algumas possíveis formas de combater práticas sociais e discursivas que visam assegurar a construção de uma identidade legitimadora que ofusca, nega e apaga as diferenças. Em segundo lugar, refletimos sobre a importância da escola como um ambiente propício para o fortalecimento de valores, como o respeito à pluralidade cultural, a convivência na diversidade, a inclusão, o combate a intolerância e ao preconceito, entre outros. Nesse novo contexto, a escola, a partir do contato com o não indígena, passa a ser o local para trazer à tona, em um espaço multicultural, a imperativa reflexão sobre alteridade, identidade, diferença, exclusão, aceitação, o que é fundamental para desvelar discursos pretensamente “universais” que silenciam e “engessam” identidades diversificadas, e também para desconstruir estereótipos que mascaram a “não aceitação da diferença”, para, por conseguinte, conquistar a cidadania multicultural.

 


Texto completo:

PDF

Referências


BHABHA, H. K. O local da cultura. Tradução de Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

BAUMAN, Z. Globalização: as consequências humanas. Tradução Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,1999.

CARDOSO DE OLIVEIRA, R. O Índio e o Mundo dos Brancos. Campinas: Editora da Unicamp, 1996.

CHOULIARAKI, L.; FAIRCLOUGH, N. Discourse in late modernity: Rethinking Critical Discourse Analysis. Edinbourg: Edinbourg University Press, 1999.

DE PAULA, L. R. Dinâmica faccional Xerente: esfera local e processos sociopolí-ticos. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – PPGAS/USP, São Paulo, 2000.

FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Trad. I. Magalhães. Brasília: editora Universidade de Brasília, 2001.

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1978. p. 13-41.

GIRALDIN, O.; SILVA, C. A. Ligando Mundos: Relação entre Xerente e a Sociedade circundante no século XIX. Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Serie Antropologia, v. 18, n. 1, p. 43-58, 2002.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

LUCIANO-BANIWA, G. S. O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Brasília: Ministério da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006. p. 38-43

MORIN, E. “Por Uma Reforma do Pensamento”. In: PENAVEGA, Alfredo. NASCIMENTO, E. P. (Org.). O Pensar Complexo: Edgar Morin e a Crise da Modernidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2001.

OLIVEIRA-REIS. F. C. Aspectos do Contato e Formas Socioculturais da Sociedade Akwë-Xerente (Jê). Departamento De Antropologia Da UnB. (Dissertação De Mestrado), 2001.

SCHROEDER, I. Os Xerente: estrutura, história e política. In: Soc. e Cult., Goiânia, v. 13, n. 1, p. 67-78, jan./jun. 2010.

SILVA, T. T. da (Org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos Estudos Culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. p. 7-72.

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: A formação e o sentido de Brasil. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.




DOI: http://dx.doi.org/10.19123/eixo.v8i3.644