INSURGÊNCIAS ÉTICO-POLÍTICAS NA DANÇA E NA SOMÁTICA: ONDE ESTÁ A “PÉLVIS”?
DOI:
https://doi.org/10.19123/REixo.v14.n3.17Palavras-chave:
Dança, deficiência, pélvis, SomáticaResumo
Este texto provém de uma escrita biautoral, ancorada nos saberes localizados (Haraway, 2009) em primeira pessoa e experimentada na disciplina Epistemologias Somáticas ministradas pelo professor Diego Pizarro (IFB), entre agosto e novembro de 2023, na UFBA. Dessas experiências, os autores abordam a necessidade de considerar a diversidade de corpos, incluindo corpos com deficiência, nas práticas artísticas, questionando o bipedismo compulsório (Carmo, 2019) e referenciando outros artistas com deficiência do Brasil. A pélvis é destacada como uma episteme, que promove a subversão de lógicas e silenciamentos que impactam os corpos culturalmente. A descrição de práticas pedagógicas e artísticas, como na plataforma Pelvika, evidencia a importância de criar espaços de troca e discussão em torno dos saberes pélvicos e da diversidade de corporalidades. A discussão se estende para a necessidade de repensar os padrões de verticalidade na dança e na somática, considerando a diversidade de corpos e movimentos. A utilização de mapas somáticos como ferramenta de pesquisa e criação é apresentada como uma forma de reconhecer e corporalizar os conhecimentos experienciados. Destaca-se a urgência de repensar metáforas e vocabulários para de fato incluir corpos diversos e subverter estruturas normativas e excludentes. A necessidade iminente de reavaliar metáforas e terminologias vivenciadas em práticas de dança emerge da conclusão de que se faz necessária a atenção e a presença de corpos diversos para a subversão de estruturas normativas e discriminatórias.
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