POLISSEMIA SOMÁTICA SOBRE CORPO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.19123/REixo.v14.n3.16


Palavras-chave:

Somática, contracolonialismo, corpo em chamas, corpo acervo, corpo (des)contínuo.

Resumo

Este artigo se desenvolve na confluência de três eixos temáticos dentro da pluriversalidade de compreensões sobre corpo, a partir de abordagens somáticas e princípios contracoloniais, compartilhados por três artistas pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia. Cunha-se assim as expressões-tema: corpo em chamas, corpo acervo e corpo (des)contínuo, que são subtítulos ao corpo do texto e (multi)versam sobre prazer, memória e (in)finitude, dentre outras noções relacionadas ao consenso de que o futuro é ancestral. Nesse trílogo polissêmico acerca do corpo e do soma, a versão ocidental do uso da Somática é devidamente reconhecida, ao mesmo tempo, em que também pode ser percebida como um antídoto contra o colonialismo, o binarismo, o mecanicismo, o machismo, o racismo, o capitalismo e suas variantes de inúmeras violências. Através de uma escuta mais profunda do soma como um corpo vivo, defende-se que é possível ativar estados, percepções e estratégias de fuga, sobrevivência e cura, tanto individuais quanto coletivas, em conexão com cosmologias outras que não as eurocentradas. 

Biografia do Autor

  • Milianie Lage Matos, Universidade Federal da Bahia

    Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) - Bolsista FAPESB (fev/2025 - ago/2025). Representante estudantil no doutorado de setembro/2024 até set/2025 no mesmo programa. Bolsista CAPES/CNPq no Programa Doutorado Sanduíche no Exterior, realiza atividades de pesquisa sob a direção do Prof. Dr. Michael Marder na Universidade do País Vasco/Espanha (2025-2026). Mestra em Dança pelo Programa de Pós-graduação em Dança (UFBA-2012-2014). Graduada em Licenciatura em Dança pela UFBA (2006-2010). Especialização em Pedagogia Waldorf pela Faculdade São Luís da França e Instituto Micael em Aracaju/SE (2014-2018). Professora de Artes com Ênfase em Dança (concursada) do Município de Salvador/BA (ago/2023-fev/2025). Tutora Professora no Curso EaD de Licenciatura em Dança - Bolsista CAPES - Universidade Aberta do Brasil (UAB) e UFBA (fev/2023-fev/2025). Professora de Artes e Filosofia da Rede Estadual de Educação - Ensino Médio (2015-2020).

  • Vivian Gabriele Schmitz, Universidade Federal da Bahia

    Vivian Schmitz é Mestra em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); Bacharel em Artes Cênicas com Habilitação em Interpretação Teatral pela Faculdade de Artes do Paraná (atual UNESPAR). Atriz profissional, performer, preparadora corporal, locutora, dubladora e pesquisadora. Atua e pesquisa sobretudo na área das Artes da Cena, do corpo-voz.

  • Alice Nascimento da Cunha Magalhães, Universidade Federal da Bahia

    Nascida na capital baiana e radicada há onze anos no Vale do Capão, Palmeiras-BA, Alice Cunha, atua no campo das artes há dezoito anos. Multiartista, pesquisadora e educadora, tendo passado por cursos e escolas de música, dança, circo e teatro, atualmente desenvolve pesquisa teórico-prática que dilui as fronteiras entre linguagens artísticas, com ênfase no corpo e no não sofrimento a partir da desobrigação da excelência técnica, criando relações entre o feminino, poder e a narrativa autoral de subjetividades. Mestranda no Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia,Bacharel em Interpretação Teatral pela Universidade Federal da Bahia e Aerealista circense pela Escola Nacional de Circo - RJ. Como ação de micropolítica, produz prioritariamente em parceria com artistas mulheres, busca a descentralização da arte, dando ênfase à cultura interiorana e seus saberes.

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Publicado

2025-12-17

Declaração de Disponibilidade de Dados

Dados disponibilizados.

Como Citar

MATOS, Milianie Lage; SCHMITZ, Vivian Gabriele; MAGALHÃES, Alice Nascimento da Cunha. POLISSEMIA SOMÁTICA SOBRE CORPO. Revista Eixo, Brasília, v. 14, n. 3, p. e16, 2025. DOI: 10.19123/REixo.v14.n3.16. Disponível em: https://revistaeixo.ifb.edu.br/index.php/revistaeixo/article/view/357.. Acesso em: 8 jan. 2026.

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