EDUCAÇÃO DE SURDOS NO ENSINO DE QUÍMICA/CIÊNCIAS: ROMPENDO BARREIRAS DE COMUNICAÇÃO E APRENDIZAGEM – UMA REVISÃO INTEGRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.19123/Palavras-chave:
Aprendizagem, Ensino de Química/Ciências, Língua de Sinais, Recursos Visuais, SurdosResumo
Este artigo tem como objetivo apresentar uma revisão de literatura integrativa sobre a educação de surdos no ensino de Química/Ciências, com foco na aprendizagem de estudantes surdos, utilizando a base de dados do Google Acadêmico para analisar e sintetizar estudos realizados no período de 2020 a 2025. A pesquisa busca responder à seguinte pergunta: como os estudantes surdos aprendem Química/Ciências? O método aplicado é de natureza mista (quanti-qualitativa). Foram identificadas um total de 198 publicações sobre a temática e, após o refinamento do conteúdo, foram selecionados 14 estudos pertinentes para análise e discussão. Os resultados deste estudo são preocupantes e desafiadores, destacando passos lentos sobre essa temática e poucas produções acadêmicas, ou seja, incipientes, necessitando fortalecer e estabelecer pontes e elos com o ensino de Química/Ciências e a aprendizagem com os estudantes surdos. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é essencial para a mediação do ensino e da aprendizagem do sujeito surdo. No entanto, os obstáculos nessa temática estão relacionados a diversos fatores, como a falta de recursos visuais e de estratégias de ensino voltadas para esse público, a escassez de sinais-termo em Química/Ciências, que necessita de padronização, a carência de tradutores/intérpretes de Língua de Sinais (TILS) nos espaços escolares e a alta demanda por formação continuada. Assim, o estudo possibilitou compreender que tais dificuldades impactam diretamente na qualidade do processo de ensino e aprendizagem, representando uma barreira significativa para a educação de surdos nessa área.
Referências
ALBERT, É; REIS, P. H. (2023). Material didático para surdos e ouvintes: uma perspectiva inclusiva no ensino de Ciências. Revista Brasileira de Educação, Cultura e Linguagem, 8(14), 88–107. Disponível em: https://doi.org/10.61389/rbecl.v8i14.7506. Acesso em: 27 fev. 2025.
ARAÚJO, J. C. S; GONÇALVES, A. O. S.; GUEDES, S. F. (2023). Tecnologias assistivas digitais e aplicativos móveis para o ensino de química em libras: mapeamento das produções científicas do período 2018-2022. Cenas Educacionais, [S. l.], v. 6, p. e16642. DOI: 10.5281/zenodo.13854963. Disponível em: https://www.revistas.uneb.br/index.php/cenaseducacionais/article/view/16642. Acesso em: 26 fev. 2025.
BENITE, A. M. C; BENITE, C. R. M.; VILELA-RIBEIRO, E. B. (2014). Educação Inclusiva, ensino de Ciências e linguagem científica: possíveis relações. Revista Educação Especial, 1(1), 83–92. https://doi.org/10.5902/1984686X7687. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/7687. Acesso em: 06 fev. 2025.
BRASIL. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 25 abr. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 2 fev. 2025.
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm. Acesso em: 2 fev. 2025.
BRASIL. Lei nº 12.319 de 1º de setembro de 2010. Regulamenta a profissão do Tradutor/Intérprete de Língua de Sinais – LIBRAS. Diário Oficial da União, Brasília, 1 set. 2010. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12319.htm. Acesso em: 05 mar. 2025.
CARNEIRO, B. G; COURA, F. A; SOUSA, A. N. (org.). (2023). Língua Brasileira de Sinais: Linguística Aplicada, Educação e Descrição Linguística/Organizadores: Bruno Gonçalves Carneiro, Felipe de Almeida Coura e Aline Nunes de Sousa; Prefácio de Sandra Patrícia de Faria do Nascimento. 1. ed. – Campinas, SP: Pontes Editores; 356 p. figs.; quadros; fotografias.
CAVALCANTE, V. G; SAMPAIO, C. G; VASCONCELOS, A. K. P; BARROSO, M. C. S; NASCIMENTO FILHO, V. T. N. (2021). Development of deaf students addressing difficulties in the teaching process learning chemistry: The challenges of inclusion. Research, Society and Development, [S. l.], v. 10, n. 6, p. e40310615796. DOI: 10.33448/rsd-v10i6.15796. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/15796. Acesso em: 20 fev. 2025.
CHASSOT, A. I. (2003). Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. Rev. Bras. Educ. [online]. 2003, n.22, pp.89-100. ISSN 1413-2478. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S141324782003000100009&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 3 fev. 2025.
CHASSOT, A. I. (2018). Para Que(m) é útil o Ensino? 4ª ed. Rio Grande do Sul: Editora Unijuí. 172 p.
DANTAS, L. M; BARWALDT, R; BASTOS, A. R. B; ARAGÃO, F. V. F. (2020). Análise das produções científicas acerca de recursos pedagógicos acessíveis da tabela periódica utilizados no processo de ensino e aprendizagem de alunos surdos. Revista Educação Especial, v. 33, p. 1-28. Disponível em: https://doi.org/10.5902/1984686X48149. Acesso em: 17 fev. 2025.
FERREIRA, A. T. S; VASCONCELOS, I. A. H; DAWES, T. P; BRAZ, R. M. M; ALVES, G. H. V. S; FRAGEL-MADEIRA, L. (2024). Sinais-termos científicos em Libras: uma reflexão sobre a escassez e a necessidade de padronização. Ciência & Educação, Bauru, v. 30, e24007. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1516-731320240007. Acesso em: 28 fev. 2025.
FERREIRA, L. M; RODRIGUES, G. F; PEREIRA, L. L. S; BENITE, C. R. M. (2024). Roteiros experimentais imagéticos: contribuições semióticas sobre o ensino de reações químicas para alunos surdos. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 105, e6008. Disponível em: https://doi.org/10.24109/2176-6681.rbep.105.6008. Acesso em: 1 mar. 2025.
LEÃO FERREIRA, L. M. V; SILVA BARROSO, M. C; GOES SAMPAIO, C. (2020). Química com sinais: o ensino visual da Química para alunos surdos por meio de website. Góndola, enseñanza y aprendizaje de las ciencias, v. 15, n. 3, p. 531-546.
FERREIRA BRITO, Lucinda. (2010). Por uma gramática de línguas de sinais. 2. ed. Rio de janeiro: TB - Edições Tempo Brasileiro. 273 p. ISBN 9788528200690.
FERNANDES, J. M; FREITAS-REIS, I. (2022). Sequência didática multimodal para ensino de energia: uma experiência com surdos incluídos e o uso de novos sinais-termos. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 4, p. e2611426839. DOI: 10.33448/rsd-v11i4.26839. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/26839. Acesso em: 24 fev. 2025.
FERNANDES, J. M; FREITAS-REIS, I; ARAÚJO NETO, W. N. (2020). Uma revisão sistemática sobre semiótica, multimodalidade e ensino de ciências da natureza na educação do aluno surdo. Revista Educação e Linguagens, 9(17), 400-432. Disponível em: https://doi.org/10.33871/22386084.2020.9.17.400-432. Acesso em: 15 fev. 2025.
FREIRE, P. (1978). A educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
FREIRE, P. (1979). Ação cultural para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
GESSER, A. (2009). LIBRAS? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola Editorial.
GESSER, A. (2012). O ouvinte e a surdez: sobre ensinar e aprender a Libras. São Paulo: Parábola Editorial. 187 p.
GOMES, R. P; LOCATELLI, S. W. (2024). O ensino de Química na inclusão de surdos: a concepção da aprendizagem construída coletivamente. Educação em Revista, v. 40, e47573. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0102-4698-47573. Acesso em: 2 mar. 2025.
GRAY, D. E. (2016). Pesquisa no mundo real. Porto Alegre: Penso Editora, 2016.
GRÜTZMANN, T. P; ALVES, R. S; LEBEDEFF, T. B. (2020). A PEDAGOGIA VISUAL NA EDUCAÇÃO DE SURDOS: UMA EXPERIÊNCIA COM O ENSINO DA MATEMÁTICA NO MATHLIBRAS. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v. 16, n. 37, p. 51-74. DOI: 10.22481/praxisedu.v16i37.5982. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/praxis/article/view/5982. Acesso em: 4 fev. 2025.
GUEDES, C. T; CHACON, E. P. (2020). ENSINO DE QUÍMICA PARA SURDOS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. Ensino, Saúde e Ambiente, 13(1). Disponível em: https://doi.org/10.22409/resa2020.v13i1.a28414. Acesso em: 30 jan. 2025.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). (2019). Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Tabela 8223: População residente, por grupo de idade e sexo. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/8223#resultado. Acesso em: 10 jan. 2025.
LACERDA, C. B. F; SANTOS, L. F. (Orgs.). (2018). Tenho um aluno surdo e agora? Introdução à Libras e Educação de Surdos. 2ª reimpressão. 254 p. São Carlos: EdUFSCar. 254 p.
LEBEDEFF, T. B. (org.). (2017). Letramento Visual e Surdez. Rio de Janeiro: Walk Editora.
LEITE, L. S; CABRAL, T. B. (2021). Educação de surdos e colonialidade do poder linguístico. Letras & Letras, Uberlândia, v. 37, n. 2, p. 425-444. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/letraseletras/article/view/57605. Acesso em: 20 fev. 2025.
LIRA, A. L; MONTEIRO, R. F. F. V; CONSERVA, K. M; PAIVA, M. V; CAMPOS, J. L. C. (2021). Desenvolvimento de recursos visuais para o aprendizado de alunos surdos: teoria atômica de Dalton. Revista Principia, [S. l.], v. 1, n. 54, p. 83–92, 2021. DOI: 10.18265/1517-0306a2021v1n54p83-92. Disponível em: https://periodicos.ifpb.edu.br/index.php/principia/article/view/3950. Acesso em: 22 fev. 2025.
LUNARDI-LAZZARIN, M. L; GOMES, A. P. G; CAMILLO, C. R. M. (2020). Experiências escolares, aprendizagem e cultura: produção do sujeito surdo no cenário da escola contemporânea. Revista Educação Especial, v. 33. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/41272. Acesso em: 04 fev. 2025.
MALTONI, N. B; TORRES, J. C; SANTOS, T. A. (2021). Libras como componente curricular obrigatório: um olhar para os cursos de licenciatura em Química das três universidades estaduais paulistas. RPGE – Revista online de Política e Gestão Educacional, Araraquara, v. 25, n. esp. 4, p. 2004-2017, dez. 2021. e-ISSN: 1519-9029. DOI: https://doi.org/10.22633/rpge.v25iesp.4.15936.
PAIXÃO, G. C. F; GUEDES, M. G. M. (2021). Ensino de Química e o surdo: uma análise das publicações do Encontro Nacional de Ensino de Química e de professores atuantes na Educação Básica do estado de Pernambuco. Revista Debates em Ensino de Química, Recife, v. 7, n. 1, p. 91-104.
PERLIN, G. (1998). Identidades surdas. In: SKLIAR, C. (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação.
PEREIRA, K; REIS, I. F. (2024). Diálogos entre Cultura, Educação de Surdos e Ensino de Ciências da Natureza. Educação, 49(1), e6/1–27. https://doi.org/10.5902/1984644470229.
PHILIPPSEN, E. A. (Org.). (2023). Codocência e surdez: encontros e diálogos. São Paulo, SP: Livraria da Física. 340 p.
PHILIPPSEN, E. A; SOUZA, A. C; DIAS, S. T. (2020). Codocência, sinais-termo e ensino de Ciências para uma educação inclusiva efetiva e conceitual. In: FALEIRO, W; SANTOS, S. P; SANGALLI, A. (Orgs.). Ciências da natureza para a diversidade. 1ª ed. Goiânia: Editora Kelps. p. 131-159.
PHILIPPSEN, E. A; GAUCHE, R; TUXI, P; FELTEN, E. F. (2023). Ensino de Ciências e Surdez: Para Além das Libras. Revista Debates Em Ensino De Química, 9(4), 4–23. Disponível em: https://doi.org/10.53003/redequim.v9i4.4616. Acesso em: 25 fev. 2025.
QUADROS, R. M; KARNOPP, L. B. (2004). Língua de Sinais Brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed Editora. 224 p.
QUADROS, R. M; SCHMIEDT, M. L. P. (2006). Ideias para ensinar português para alunos surdos. Brasília: MEC, SEESP. 120 p.
RAIZER, K. Z. M; PASQUALLI, R. (2022). O currículo integrado e o ensino de Química para surdos no IFSC. Revista Humanidades e Inovação, Palmas, TO, v. 9, n. 11. ISSN 2358-8322.
SÁ, N. R. L. (2006). Cultura, poder e educação de surdos. São Paulo: Paulinas.
SANTOS, T. T. et al. (2020). Ensino de ciências para estudantes surdos: uma experiência com modelos moleculares e iônico. Revista Areté | Revista Amazônica de Ensino de Ciências, [S.l.], v. 14, n. 28, p. 98-109. ISSN 1984-7505. Disponível em: https://repositorioinstitucional.uea.edu.br/index.php/arete/article/view/1988. Acesso em: 19 fev. 2025.
SILVA, B. S; COSTA, E. S. (2021). Estudo de Caso sobre o Ensino-Aprendizagem de Química Mediado em Língua Brasileira de Sinais. Revista Debates Em Ensino De Química, 6(1), 185–201. Disponível em: https://www.journals.ufrpe.br/index.php/REDEQUIM/article/view/2655. Acesso em: 22 de fev. 2025.
SILVEIRA, L. C. (2019). Glossário de ciências em libras: uma proposta pedagógica bilíngue para alunos surdos. 1 ed. Curitiba: Appris. 129 p.
SKLIAR, Carlos. (Org.). (1998). A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre: Mediação.
STROBEL, K. L. (2023) As imagens do outro sobre a cultura surda. 4ª ed. 2ª reimpr. Florianópolis: Editora da UFSC. 146 p.
SOUSA, S. F; SILVEIRA, H. E. (2011). Terminologias químicas em Libras: a utilização de sinais na aprendizagem de alunos surdos. Química Nova na Escola, p. 37-46.
SOUZA, M. T; SILVA, M. D; CARVALHO, R. (2010). Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein, v. 8, n. 1, pt. 1, p. 102-6.
WARTHA, E. J; SILVA, E. L; LUTFI, M. (2024). Revisitando o cotidiano no ensino de Química. Quím. Nova Esc. – São Paulo-SP, v. XX, n. YY, p. 1-10. Disponível em: http://dx.doi.org/10.21577/0104-8899.20160433. Acesso em: 20 fev. 2025.
Downloads
Publicado
Declaração de Disponibilidade de Dados
O(s) autor(es) não disponibilizou(aram) os dados de pesquisa.
Edição
Seção
Categorias
Como Citar
Licença
Copyright (c) 2026 Frankinaldo Pereira Lima, Marcelo Leandro Eichler (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
Nos seguintes termos:
- Atribuição - Você deve dar o crédito apropriado , fornecer um link para a licença e indicar se as alterações foram feitas . Você pode fazê-lo de qualquer maneira razoável, mas não de qualquer forma que sugira que o licenciante endossa você ou seu uso.
- Não Comercial - Você não pode usar o material para fins comerciais .
- ShareAlike - Se você remixar, transformar ou construir sobre o material, você deve distribuir suas contribuições sob a mesma licença que o original.
- Sem restrições adicionais - Você não pode aplicar termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros de fazer qualquer coisa que a licença permita.










